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Complexos hard

🧩 Exercício 1 (AFA/2007)Fácil

Seja zz um número complexo não nulo e ii a unidade imaginária, com

i2=−1i^2=-1

e z≠iz\neq i.

O conjunto de todos os valores de zz para os quais

z+i1+iz\frac{z+i}{1+iz}

é um número real representa um(a):

💡 Dica — clique para visualizar

Lembre-se de uma propriedade importante:

Um número complexo é real se, e somente se, ele é igual ao seu conjugado.

Considere

w=z+i1+izw=\frac{z+i}{1+iz}

e imponha a condição

w=w‾.w=\overline{w}.

Depois, utilize a propriedade

zz‾=∣z∣2.z\overline z=|z|^2.

Ideia principal​

A expressão

z+i1+iz\frac{z+i}{1+iz}

deve ser um número real.

Em vez de escrever z=x+iyz=x+iy, podemos usar diretamente uma propriedade dos números complexos:

w∈R  ⟺  w=w‾.\boxed{w\in\mathbb{R}\iff w=\overline w}.

Essa abordagem permite encontrar diretamente uma condição para ∣z∣|z|.


Passo 1 — Igualando a expressão ao seu conjugado​

Definimos:

w=z+i1+iz.w=\frac{z+i}{1+iz}.

Como ww é real:

w=w‾.w=\overline w.

Portanto:

z+i1+iz=(z+i1+iz)‾.\frac{z+i}{1+iz} = \overline{\left(\frac{z+i}{1+iz}\right)}.

Usando a propriedade

ab‾=a‾b‾,\boxed{ \overline{\frac{a}{b}} = \frac{\overline a}{\overline b} },

temos:

z+i1+iz=z+i‾1+iz‾.\frac{z+i}{1+iz} = \frac{\overline{z+i}} {\overline{1+iz}}.

Como

i‾=−i,\overline{i}=-i,

segue que:

z+i‾=z‾−i\overline{z+i}=\overline z-i

e

1+iz‾=1−iz‾.\overline{1+iz}=1-i\overline z.

Logo:

z+i1+iz=z‾−i1−iz‾.\boxed{ \frac{z+i}{1+iz} = \frac{\overline z-i}{1-i\overline z} }.

Passo 2 — Fazendo a multiplicação cruzada​

Temos:

z+i1+iz=z‾−i1−iz‾.\frac{z+i}{1+iz} = \frac{\overline z-i}{1-i\overline z}.

Multiplicando em cruz:

(z+i)(1−iz‾)=(z‾−i)(1+iz).(z+i)(1-i\overline z) = (\overline z-i)(1+iz).

Agora vamos desenvolver cada lado.

Lado esquerdo​

(z+i)(1−iz‾)(z+i)(1-i\overline z)

Aplicando a propriedade distributiva:

=z−izz‾+i−i2z‾.=z-iz\overline z+i-i^2\overline z.

Como

i2=−1,i^2=-1,

temos:

=z−izz‾+i+z‾.=z-iz\overline z+i+\overline z.

Portanto:

z+z‾+i−izz‾.\boxed{ z+\overline z+i-iz\overline z }.

Lado direito​

(z‾−i)(1+iz)(\overline z-i)(1+iz)

Aplicando novamente a distributiva:

=z‾+izz‾−i−i2z.=\overline z+iz\overline z-i-i^2z.

Como i2=−1i^2=-1:

=z‾+izz‾−i+z.=\overline z+iz\overline z-i+z.

Assim:

z+z‾−i+izz‾.\boxed{ z+\overline z-i+iz\overline z }.

Passo 3 — Simplificando a igualdade​

Igualando os dois resultados:

z+z‾+i−izz‾=z+z‾−i+izz‾.z+\overline z+i-iz\overline z = z+\overline z-i+iz\overline z.

Podemos cancelar z+z‾z+\overline z dos dois lados:

i−izz‾=−i+izz‾.i-iz\overline z = -i+iz\overline z.

Passando os termos:

2i=2izz‾.2i=2iz\overline z.

Dividindo ambos os lados por 2i2i:

zz‾=1.z\overline z=1.

Passo 4 — Usando o módulo do número complexo​

Uma propriedade fundamental dos números complexos é:

zz‾=∣z∣2.\boxed{z\overline z=|z|^2}.

Portanto:

∣z∣2=1.|z|^2=1.

Como o módulo é não negativo:

∣z∣=1.\boxed{|z|=1}.

Passo 5 — Interpretando geometricamente​

Se escrevemos

z=x+iy,z=x+iy,

então:

∣z∣=x2+y2.|z|=\sqrt{x^2+y^2}.

Como ∣z∣=1|z|=1:

x2+y2=1.\sqrt{x^2+y^2}=1.

Elevando ao quadrado:

x2+y2=1.\boxed{x^2+y^2=1}.

Essa é a equação de uma circunferência de centro na origem e raio 11.


Passo 6 — Atenção à condição z≠iz\neq i​

O enunciado informa que:

z≠i.z\neq i.

Isso é necessário porque, para z=iz=i:

1+iz=1+i2=1−1=0.1+iz = 1+i^2 = 1-1 = 0.

Ou seja, a expressão original não estaria definida.

Portanto, rigorosamente, o conjunto obtido é a circunferência unitária sem o ponto ii.

Isso não altera sua classificação como circunferência.


Resultado​

O conjunto dos valores de zz satisfaz:

∣z∣=1,|z|=1,

ou, no plano complexo:

x2+y2=1.x^2+y^2=1.

Portanto, representa uma:

circunfereˆncia\boxed{\text{circunferência}}

A alternativa correta é:

(C) circunfereˆncia\boxed{\text{(C) circunferência}}
🧩 Exercício 2 (ITA/1998)Fácil

Sejam xx e yy números reais tais que:

{x3−3xy2=13x2y−y3=1\begin{cases} x^3-3xy^2=1\\ 3x^2y-y^3=1 \end{cases}

Então, o número complexo

z=x+iyz=x+iy

é tal que z3z^3 e ∣z∣|z|, valem, respectivamente:

💡 Dica — clique para visualizar

Calcule diretamente z3z^3, lembrando que

z=x+iy.z=x+iy.

Compare a parte real e a parte imaginária de z3z^3 com as duas equações do sistema.

Depois, use a propriedade:

∣z3∣=∣z∣3.|z^3|=|z|^3.

Ideia principal​

O sistema fornecido pelo problema possui exatamente os termos que aparecem quando desenvolvemos

(x+iy)3.(x+iy)^3.

Portanto, em vez de tentar encontrar separadamente os valores de xx e yy, podemos interpretar o sistema diretamente como uma expressão envolvendo o número complexo

z=x+iy.z=x+iy.

Passo 1 — Calculando z3z^3​

Temos:

z=x+iy.z=x+iy.

Elevando ao cubo:

z3=(x+iy)3.z^3=(x+iy)^3.

Pela fórmula do cubo da soma:

(a+b)3=a3+3a2b+3ab2+b3,(a+b)^3=a^3+3a^2b+3ab^2+b^3,

obtemos:

z3=x3+3x2(iy)+3x(iy)2+(iy)3.z^3 = x^3+3x^2(iy)+3x(iy)^2+(iy)^3.

Agora usamos:

i2=−1i^2=-1

e

i3=−i.i^3=-i.

Assim:

z3=x3+3x2yi+3xy2i2+y3i3=x3+3x2yi−3xy2−y3i.\begin{aligned} z^3 &=x^3+3x^2yi+3xy^2i^2+y^3i^3\\ &=x^3+3x^2yi-3xy^2-y^3i. \end{aligned}

Agrupando as partes real e imaginária:

z3=(x3−3xy2)+(3x2y−y3)i.\boxed{ z^3=(x^3-3xy^2)+(3x^2y-y^3)i }.

Passo 2 — Comparando com o sistema​

O problema fornece:

x3−3xy2=1x^3-3xy^2=1

e

3x2y−y3=1.3x^2y-y^3=1.

Substituindo essas informações na expressão de z3z^3:

z3=1+1⋅i.z^3 = 1+1\cdot i.

Portanto:

z3=1+i.\boxed{z^3=1+i}.

Passo 3 — Calculando ∣z∣|z|​

Agora precisamos determinar ∣z∣|z|.

Uma propriedade importante do módulo de números complexos é:

∣zn∣=∣z∣n.\boxed{|z^n|=|z|^n}.

Para n=3n=3:

∣z3∣=∣z∣3.|z^3|=|z|^3.

Como já sabemos que

z3=1+i,z^3=1+i,

podemos calcular seu módulo:

∣z3∣=∣1+i∣.|z^3| = |1+i|.

Pela definição do módulo:

∣a+bi∣=a2+b2.|a+bi|=\sqrt{a^2+b^2}.

Logo:

∣1+i∣=12+12.|1+i| = \sqrt{1^2+1^2}.

Portanto:

∣z3∣=2.|z^3|=\sqrt2.

Assim:

∣z∣3=2.|z|^3=\sqrt2.

Escrevendo 2\sqrt2 como potência:

∣z∣3=21/2.|z|^3=2^{1/2}.

Elevando ambos os lados à potência 13\frac13:

∣z∣=21/6.|z|=2^{1/6}.

Ou seja:

∣z∣=26.\boxed{|z|=\sqrt[6]{2}}.

Passo 4 — Conclusão​

Obtivemos:

z3=1+i\boxed{z^3=1+i}

e

∣z∣=26.\boxed{|z|=\sqrt[6]{2}}.

Portanto, a alternativa correta é:

(B) 1+i e 26.\boxed{\text{(B) }1+i\text{ e }\sqrt[6]{2}}.
🧩 Exercício 3 (IME/94)Médio

Dado

z=17+24i,z=\frac{1}{\sqrt{7+24i}},

calcule as partes real e imaginária de zz.

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Tente reconhecer o número complexo dentro da raiz como o quadrado de um número complexo da forma

a+bi.a+bi.

Depois, use o conjugado para racionalizar o denominador.

Ideia principal​

Temos:

z=17+24i.z=\frac{1}{\sqrt{7+24i}}.

A estratégia é perceber que 7+24i7+24i pode ser escrito como o quadrado de um número complexo.


Passo 1 — Fatorando o número complexo​

Queremos encontrar uma expressão da forma

(a+bi)2.(a+bi)^2.

Desenvolvendo:

(a+bi)2=a2+2abi+b2i2.(a+bi)^2 = a^2+2abi+b^2i^2.

Como

i2=−1,i^2=-1,

temos:

(a+bi)2=(a2−b2)+2abi.(a+bi)^2 = (a^2-b^2)+2abi.

Precisamos obter:

7+24i.7+24i.

Observe que:

42−32=16−9=74^2-3^2=16-9=7

e

2⋅4⋅3=24.2\cdot4\cdot3=24.

Portanto:

7+24i=(4+3i)2.\boxed{7+24i=(4+3i)^2}.

De fato:

(4+3i)2=16+24i+9i2=16+24i−9=7+24i.\begin{aligned} (4+3i)^2 &=16+24i+9i^2\\ &=16+24i-9\\ &=7+24i. \end{aligned}

Assim:

7+24i=4+3i.\sqrt{7+24i}=4+3i.

Logo:

z=14+3i.z=\frac{1}{4+3i}.

Passo 2 — Racionalizando o denominador​

Para eliminar o número complexo do denominador, multiplicamos pelo seu conjugado:

z=14+3i⋅4−3i4−3i.z= \frac{1}{4+3i} \cdot \frac{4-3i}{4-3i}.

Então:

z=4−3i(4+3i)(4−3i).z= \frac{4-3i}{(4+3i)(4-3i)}.

Utilizamos a identidade:

(a+bi)(a−bi)=a2+b2.(a+bi)(a-bi)=a^2+b^2.

Portanto:

(4+3i)(4−3i)=42+32=16+9=25.(4+3i)(4-3i) = 4^2+3^2 = 16+9 = 25.

Assim:

z=4−3i25.z=\frac{4-3i}{25}.

Separando as partes real e imaginária:

z=425−325i.\boxed{ z=\frac4{25}-\frac3{25}i }.

Passo 3 — Identificando as partes​

Um número complexo na forma

z=a+biz=a+bi

possui:

  • parte real: aa;
  • parte imaginária: bb.

Como

z=425−325i,z=\frac4{25}-\frac3{25}i,

temos:

Re⁡(z)=425\boxed{\operatorname{Re}(z)=\frac4{25}}

e

Im⁡(z)=−325.\boxed{\operatorname{Im}(z)=-\frac3{25}}.

Resultado​

Portanto, as partes real e imaginária de zz são:

Re⁡(z)=425eIm⁡(z)=−325.\boxed{ \operatorname{Re}(z)=\frac4{25} \qquad\text{e}\qquad \operatorname{Im}(z)=-\frac3{25} }.
🧩 Exercício 4 (IME/2008)Médio

Determine a expressão da soma a seguir, onde nn é um inteiro múltiplo de 44:

1+2i+3i2+⋯+(n+1)in.1+2i+3i^2+\cdots +(n+1)i^n.
💡 Dica — clique para visualizar

Chame a soma de SS.

Depois, multiplique toda a igualdade por ii e subtraia a nova expressão de SS.

Observe que os coeficientes dos termos intermediários irão se cancelar, produzindo uma soma de uma progressão geométrica.

Ideia principal​

Seja

S=1+2i+3i2+⋯+(n+1)in.S=1+2i+3i^2+\cdots +(n+1)i^n.

Como os coeficientes dos termos aumentam de 11 em 11, uma boa estratégia é multiplicar a soma por ii.

Isso fará com que os termos fiquem alinhados e, ao subtrairmos as duas expressões, apareça uma progressão geométrica.


Passo 1 — Multiplicando SS por ii​

Temos:

S=1+2i+3i2+⋯+(n+1)in.S=1+2i+3i^2+\cdots +(n+1)i^n.

Multiplicando por ii:

iS=i+2i2+3i3+⋯+(n+1)in+1.iS=i+2i^2+3i^3+\cdots +(n+1)i^{n+1}.

Agora vamos calcular S−iSS-iS.


Passo 2 — Subtraindo as expressões​

Escrevendo os termos correspondentes:

S−iS=1+(2−1)i+(3−2)i2+⋯+(n+1−n)in−(n+1)in+1.\begin{aligned} S-iS ={}& 1+(2-1)i+(3-2)i^2+\cdots\\ &+(n+1-n)i^n-(n+1)i^{n+1}. \end{aligned}

Como

2−1=3−2=⋯=(n+1)−n=1,2-1=3-2=\cdots=(n+1)-n=1,

obtemos:

(1−i)S=1+i+i2+⋯+in−(n+1)in+1.(1-i)S = 1+i+i^2+\cdots+i^n-(n+1)i^{n+1}.

Observe que

1+i+i2+⋯+in1+i+i^2+\cdots+i^n

é uma progressão geométrica, com:

a1=1eq=i.a_1=1 \qquad\text{e}\qquad q=i.

Passo 3 — Calculando a progressão geométrica​

A soma dos n+1n+1 primeiros termos de uma PG é:

SPG=a1(qn+1−1)q−1.S_{\text{PG}} = \frac{a_1(q^{n+1}-1)}{q-1}.

Assim:

1+i+i2+⋯+in=in+1−1i−1.1+i+i^2+\cdots+i^n = \frac{i^{n+1}-1}{i-1}.

Podemos escrever de forma equivalente:

1+i+i2+⋯+in=1−in+11−i.\boxed{ 1+i+i^2+\cdots+i^n = \frac{1-i^{n+1}}{1-i} }.

Portanto:

(1−i)S=1−in+11−i−(n+1)in+1.(1-i)S = \frac{1-i^{n+1}}{1-i} -(n+1)i^{n+1}.

Passo 4 — Usando que nn é múltiplo de 44​

O problema informa que nn é um inteiro múltiplo de 44.

Logo, podemos escrever:

n=4k.n=4k.

Como

i4=1,i^4=1,

temos:

in=i4k=1.i^n=i^{4k}=1.

Além disso:

in+1=i4k+1=i.i^{n+1}=i^{4k+1}=i.

Substituindo:

(1−i)S=1−i1−i−(n+1)i.(1-i)S = \frac{1-i}{1-i}-(n+1)i.

Logo:

(1−i)S=1−(n+1)i.(1-i)S=1-(n+1)i.

Portanto:

S=1−(n+1)i1−i.S= \frac{1-(n+1)i}{1-i}.

Passo 5 — Racionalizando o denominador​

Para simplificar, multiplicamos numerador e denominador pelo conjugado de 1−i1-i, que é 1+i1+i:

S=1−(n+1)i1−i⋅1+i1+i.S= \frac{1-(n+1)i}{1-i} \cdot \frac{1+i}{1+i}.

Então:

S=[1−(n+1)i](1+i)(1−i)(1+i).S= \frac{[1-(n+1)i](1+i)} {(1-i)(1+i)}.

No denominador:

(1−i)(1+i)=1−i2=1−(−1)=2.(1-i)(1+i) = 1-i^2 = 1-(-1) = 2.

Agora, no numerador:

[1−(n+1)i](1+i)[1-(n+1)i](1+i)=1+i−(n+1)i−(n+1)i2.=1+i-(n+1)i-(n+1)i^2.

Como i2=−1i^2=-1:

=1+i−(n+1)i+(n+1).=1+i-(n+1)i+(n+1).

Agrupando as partes real e imaginária:

=(n+2)−ni.=(n+2)-ni.

Assim:

S=(n+2)−ni2.S= \frac{(n+2)-ni}{2}.

Portanto:

S=n+22−n2i.\boxed{ S=\frac{n+2}{2}-\frac n2i }.

Resultado​

A expressão

1+2i+3i2+⋯+(n+1)in1+2i+3i^2+\cdots +(n+1)i^n

vale:

n+22−n2i.\boxed{ \frac{n+2}{2}-\frac n2i }.
🧩 Exercício 5 Médio

Teorema de Brahmagupta: Se aa e bb são números naturais e cada um deles é uma soma de dois quadrados perfeitos, então a⋅ba\cdot b também é uma soma de dois quadrados perfeitos.

Demonstre esse resultado utilizando números complexos.

💡 Dica — clique para visualizar

Escreva os números como

a2+b2ec2+d2.a^2+b^2 \qquad\text{e}\qquad c^2+d^2.

Depois, considere os números complexos

z1=a+biez2=c+di.z_1=a+bi \qquad\text{e}\qquad z_2=c+di.

Lembre-se das propriedades:

zz‾=∣z∣2z\overline z=|z|^2

e

z1z2‾=z1‾ z2‾.\overline{z_1z_2} = \overline{z_1}\,\overline{z_2}.

Ideia principal​

Queremos provar que o produto de dois números que são soma de dois quadrados também pode ser escrito como soma de dois quadrados.

Considere:

x=a2+b2x=a^2+b^2

e

y=c2+d2.y=c^2+d^2.

Nosso objetivo é mostrar que:

xyxy

também pode ser escrito como soma de dois quadrados.

A ferramenta que vamos utilizar é a representação de números complexos.


Passo 1 — Construindo os números complexos​

Considere os números complexos:

z1=a+biz_1=a+bi

e

z2=c+di.z_2=c+di.

Lembrando que:

i2=−1.i^2=-1.

Os seus conjugados são:

z1‾=a−bi\overline{z_1}=a-bi

e

z2‾=c−di.\overline{z_2}=c-di.

Passo 2 — Uma propriedade importante do conjugado​

Para um número complexo

z=a+bi,z=a+bi,

temos:

zz‾=(a+bi)(a−bi).z\overline z=(a+bi)(a-bi).

Usando o produto da soma pela diferença:

(x+y)(x−y)=x2−y2,(x+y)(x-y)=x^2-y^2,

obtemos:

(a+bi)(a−bi)=a2−(bi)2.(a+bi)(a-bi) = a^2-(bi)^2.

Como i2=−1i^2=-1:

(bi)2=b2i2=−b2.(bi)^2=b^2i^2=-b^2.

Portanto:

zz‾=a2+b2.z\overline z = a^2+b^2.

Assim:

zz‾=a2+b2.\boxed{z\overline z=a^2+b^2}.

Aplicando isso aos nossos números:

z1z1‾=a2+b2\boxed{z_1\overline{z_1}=a^2+b^2}

e

z2z2‾=c2+d2.\boxed{z_2\overline{z_2}=c^2+d^2}.

Passo 3 — Escrevendo o produto​

Como

x=a2+b2x=a^2+b^2

e

y=c2+d2,y=c^2+d^2,

temos:

xy=(z1z1‾)(z2z2‾).xy = (z_1\overline{z_1})(z_2\overline{z_2}).

Pela propriedade associativa da multiplicação:

xy=(z1z2)(z1‾ z2‾).xy = (z_1z_2) (\overline{z_1}\,\overline{z_2}).

Agora usamos a propriedade:

z1z2‾=z1‾ z2‾.\boxed{ \overline{z_1z_2} = \overline{z_1}\,\overline{z_2} }.

Logo:

xy=(z1z2)(z1z2)‾.xy = (z_1z_2)\overline{(z_1z_2)}.

Portanto, basta calcular o produto z1z2z_1z_2.


Passo 4 — Multiplicando os números complexos​

Temos:

z1z2=(a+bi)(c+di).z_1z_2=(a+bi)(c+di).

Aplicando a propriedade distributiva:

z1z2=ac+adi+bci+bdi2.z_1z_2 = ac+adi+bci+bd i^2.

Como i2=−1i^2=-1:

z1z2=ac+adi+bci−bd.z_1z_2 = ac+adi+bci-bd.

Agrupando a parte real e a parte imaginária:

z1z2=(ac−bd)+(ad+bc)i.\boxed{ z_1z_2=(ac-bd)+(ad+bc)i }.

Portanto, o produto é um número complexo cuja:

  • parte real é ac−bdac-bd;
  • parte imaginária é ad+bcad+bc.

Passo 5 — Calculando o produto pelo conjugado​

Para qualquer número complexo da forma

z=p+qi,z=p+qi,

temos:

zz‾=p2+q2.z\overline z=p^2+q^2.

No nosso caso:

p=ac−bdp=ac-bd

e

q=ad+bc.q=ad+bc.

Assim:

(z1z2)(z1z2)‾=(ac−bd)2+(ad+bc)2.(z_1z_2)\overline{(z_1z_2)} = (ac-bd)^2+(ad+bc)^2.

Mas já havíamos mostrado que:

xy=(z1z2)(z1z2)‾.xy=(z_1z_2)\overline{(z_1z_2)}.

Portanto:

xy=(ac−bd)2+(ad+bc)2.\boxed{ xy=(ac-bd)^2+(ad+bc)^2 }.

Passo 6 — A identidade de Brahmagupta​

Como

x=a2+b2x=a^2+b^2

e

y=c2+d2,y=c^2+d^2,

acabamos de demonstrar que:

(a2+b2)(c2+d2)=(ac−bd)2+(ad+bc)2.\boxed{ (a^2+b^2)(c^2+d^2) = (ac-bd)^2+(ad+bc)^2 }.

O lado direito é claramente uma soma de dois quadrados perfeitos.

Logo, se dois números naturais podem ser escritos como soma de dois quadrados, o produto deles também pode.

Portanto:

(a2+b2)(c2+d2)=(ac−bd)2+(ad+bc)2\boxed{ (a^2+b^2)(c^2+d^2) = (ac-bd)^2+(ad+bc)^2 }

e o Teorema de Brahmagupta está demonstrado.

🧩 Exercício 6 Difícil

Se ωn=1\omega^n=1 e ω≠1\omega\neq1, prove que

1+2ω+3ω2+⋯+nωn−1=nω−1.1+2\omega+3\omega^2+\cdots+n\omega^{n-1} = \frac{n}{\omega-1}.
💡 Dica — clique para visualizar

A expressão lembra uma progressão geométrica, mas os coeficientes

1,2,3,…,n1,2,3,\ldots,n

impedem a aplicação direta da fórmula.

Tente definir a soma como SS, multiplicá-la por ω\omega e depois subtrair as duas expressões.

Ideia principal​

Definimos

S=1+2ω+3ω2+⋯+nωn−1.S=1+2\omega+3\omega^2+\cdots+n\omega^{n-1}.

A sacada é utilizar uma ideia semelhante à utilizada na soma de uma progressão geométrica:

  1. multiplicar a soma pela razão ω\omega;
  2. alinhar os termos;
  3. subtrair as duas expressões.

A subtração fará com que os coeficientes intermediários se reduzam a 11.


Passo 1 — Definindo a soma​

Seja

S=1+2ω+3ω2+⋯+nωn−1.S=1+2\omega+3\omega^2+\cdots+n\omega^{n-1}.

Multiplicando toda a expressão por ω\omega:

ωS=ω+2ω2+3ω3+⋯+nωn.\omega S = \omega+2\omega^2+3\omega^3+\cdots+n\omega^n.

Passo 2 — Alinhando os termos​

Escrevemos as duas expressões:

S=1+2ω+3ω2+⋯+(n−1)ωn−2+nωn−1S= 1+2\omega+3\omega^2+\cdots+(n-1)\omega^{n-2}+n\omega^{n-1}

e

ωS=ω+2ω2+3ω3+⋯+(n−1)ωn−1+nωn.\omega S= \omega+2\omega^2+3\omega^3+\cdots+(n-1)\omega^{n-1}+n\omega^n.

Agora subtraímos a segunda expressão da primeira:

S−ωS=S(1−ω).S-\omega S=S(1-\omega).

Passo 3 — Fazendo a subtração​

Subtraindo termo a termo:

S(1−ω)=1+(2−1)ω+(3−2)ω2+⋯+(n−(n−1))ωn−1−nωn.\begin{aligned} S(1-\omega) ={}& 1+(2-1)\omega+(3-2)\omega^2+\cdots \\ &+(n-(n-1))\omega^{n-1}-n\omega^n. \end{aligned}

Como

2−1=3−2=⋯=n−(n−1)=1,2-1=3-2=\cdots=n-(n-1)=1,

obtemos:

S(1−ω)=1+ω+ω2+⋯+ωn−1−nωn.S(1-\omega) = 1+\omega+\omega^2+\cdots+\omega^{n-1}-n\omega^n.

Passo 4 — Usando ωn=1\omega^n=1​

Pela hipótese:

ωn=1.\omega^n=1.

Portanto:

nωn=n.n\omega^n=n.

Assim:

S(1−ω)=1+ω+ω2+⋯+ωn−1−n.S(1-\omega) = 1+\omega+\omega^2+\cdots+\omega^{n-1}-n.

Passo 5 — Soma das potências de ω\omega​

Como ωn=1\omega^n=1 e ω≠1\omega\neq1, temos:

1+ω+ω2+⋯+ωn−1=0.1+\omega+\omega^2+\cdots+\omega^{n-1}=0.

De fato, pela soma de uma progressão geométrica:

1+ω+ω2+⋯+ωn−1=1−ωn1−ω.1+\omega+\omega^2+\cdots+\omega^{n-1} = \frac{1-\omega^n}{1-\omega}.

Como ωn=1\omega^n=1:

1−ωn1−ω=1−11−ω=0.\frac{1-\omega^n}{1-\omega} = \frac{1-1}{1-\omega} = 0.

Logo:

S(1−ω)=−n.S(1-\omega)=-n.

Passo 6 — Isolando SS​

Dividindo por 1−ω1-\omega:

S=−n1−ω.S=\frac{-n}{1-\omega}.

Multiplicando numerador e denominador por −1-1:

S=nω−1.S=\frac{n}{\omega-1}.

Portanto:

1+2ω+3ω2+⋯+nωn−1=nω−1\boxed{ 1+2\omega+3\omega^2+\cdots+n\omega^{n-1} = \frac{n}{\omega-1} }

Resultado​

Finalmente,

1+2ω+3ω2+⋯+nωn−1=nω−1\boxed{ \displaystyle 1+2\omega+3\omega^2+\cdots+n\omega^{n-1} = \frac{n}{\omega-1} }

sempre que

ωn=1eω≠1.\omega^n=1 \qquad\text{e}\qquad \omega\neq1.

Insight​

A expressão parece inicialmente difícil porque não é uma progressão geométrica comum: além das potências de ω\omega, aparecem os coeficientes

1,2,3,…,n.1,2,3,\ldots,n.

A grande sacada é perceber que multiplicar por ω\omega desloca todas as potências em uma posição:

1,ω,ω2,…,ωn−11,\omega,\omega^2,\ldots,\omega^{n-1}

torna-se

ω,ω2,ω3,…,ωn.\omega,\omega^2,\omega^3,\ldots,\omega^n.

Quando subtraímos as duas expressões, os coeficientes consecutivos produzem:

2−1=3−2=⋯=n−(n−1)=1.2-1=3-2=\cdots=n-(n-1)=1.

Assim, uma soma aparentemente complicada transforma-se na soma geométrica:

1+ω+ω2+⋯+ωn−1.1+\omega+\omega^2+\cdots+\omega^{n-1}.

Sacada: em somatórios com coeficientes consecutivos multiplicando potências de uma mesma razão, experimente multiplicar a soma pela razão e subtrair. O deslocamento das potências pode fazer os coeficientes se reduzirem drasticamente.

🧩 Exercício 7 Difícil

Resolva em C\mathbb{C}:

z2+9z2(z+3)2=−5.z^2+\frac{9z^2}{(z+3)^2}=-5.
💡 Dica — clique para visualizar

Observe que o termo (z+3)2(z+3)^2 pode ser obtido adicionando 6z+96z+9 aos dois lados da equação.

Depois disso, tente identificar um segundo quadrado perfeito.

Ideia principal​

A sacada da questão é completar o quadrado duas vezes.

Primeiro, vamos criar o termo

(z+3)2.(z+3)^2.

Depois, o termo 6z6z permitirá formar um segundo quadrado perfeito.


Passo 1 — Restrição do domínio​

Como temos (z+3)2(z+3)^2 no denominador, devemos ter:

z+3≠0.z+3\neq0.

Portanto:

z≠−3.\boxed{z\neq-3}.

Passo 2 — Completando o primeiro quadrado​

Partimos de:

z2+9z2(z+3)2=−5.z^2+\frac{9z^2}{(z+3)^2}=-5.

Adicionamos 6z+96z+9 aos dois lados:

z2+6z+9+9z2(z+3)2=−5+6z+9.z^2+6z+9+\frac{9z^2}{(z+3)^2} = -5+6z+9.

Como

z2+6z+9=(z+3)2,z^2+6z+9=(z+3)^2,

e

9z2(z+3)2=(3zz+3)2,\frac{9z^2}{(z+3)^2} = \left(\frac{3z}{z+3}\right)^2,

temos:

(z+3)2+(3zz+3)2=6z+4.(z+3)^2+ \left(\frac{3z}{z+3}\right)^2 = 6z+4.

Passo 3 — Identificando o segundo quadrado​

Passando 6z6z para o lado esquerdo:

(z+3)2+(3zz+3)2−6z=4.(z+3)^2+ \left(\frac{3z}{z+3}\right)^2 -6z = 4.

Agora observe que:

(z+3)(3zz+3)=3z.(z+3)\left(\frac{3z}{z+3}\right)=3z.

Logo,

2(z+3)(3zz+3)=6z.2(z+3)\left(\frac{3z}{z+3}\right)=6z.

Portanto, podemos escrever:

(z+3)2+(3zz+3)2−2(z+3)(3zz+3)=4.(z+3)^2 + \left(\frac{3z}{z+3}\right)^2 - 2(z+3)\left(\frac{3z}{z+3}\right) =4.

Reconhecendo a identidade

a2+b2−2ab=(a−b)2,a^2+b^2-2ab=(a-b)^2,

obtemos:

(z+3−3zz+3)2=4.\boxed{ \left( z+3-\frac{3z}{z+3} \right)^2=4 }.

Passo 4 — Extraindo a raiz​

Como estamos trabalhando em C\mathbb{C}:

(z+3−3zz+3)2=22.\left( z+3-\frac{3z}{z+3} \right)^2=2^2.

Portanto:

z+3−3zz+3=±2.z+3-\frac{3z}{z+3}=\pm2.

Temos dois casos.


Caso 1​

Considere:

z+3−3zz+3=2.z+3-\frac{3z}{z+3}=2.

Então:

z+1=3zz+3.z+1=\frac{3z}{z+3}.

Multiplicando por z+3z+3:

(z+1)(z+3)=3z.(z+1)(z+3)=3z.

Expandindo:

z2+4z+3=3z.z^2+4z+3=3z.

Logo:

z2+z+3=0.z^2+z+3=0.

Aplicando a fórmula de Bhaskara:

z=−1±1−122.z= \frac{-1\pm\sqrt{1-12}}{2}.

Assim:

z=−1±−112.z= \frac{-1\pm\sqrt{-11}}{2}.

Como

−11=i11,\sqrt{-11}=i\sqrt{11},

obtemos:

z=−1±i112.\boxed{ z=\frac{-1\pm i\sqrt{11}}{2} }.

Caso 2​

Agora considere:

z+3−3zz+3=−2.z+3-\frac{3z}{z+3}=-2.

Então:

z+5=3zz+3.z+5=\frac{3z}{z+3}.

Multiplicando por z+3z+3:

(z+5)(z+3)=3z.(z+5)(z+3)=3z.

Expandindo:

z2+8z+15=3z.z^2+8z+15=3z.

Logo:

z2+5z+15=0.z^2+5z+15=0.

Aplicando novamente Bhaskara:

z=−5±25−602.z= \frac{-5\pm\sqrt{25-60}}{2}.

Portanto:

z=−5±−352.z= \frac{-5\pm\sqrt{-35}}{2}.

Como

−35=i35,\sqrt{-35}=i\sqrt{35},

temos:

z=−5±i352.\boxed{ z=\frac{-5\pm i\sqrt{35}}{2} }.

Resultado​

Reunindo as soluções dos dois casos:

z=−1+i112,−1−i112,−5+i352,−5−i352\boxed{ z= \frac{-1+i\sqrt{11}}{2}, \quad \frac{-1-i\sqrt{11}}{2}, \quad \frac{-5+i\sqrt{35}}{2}, \quad \frac{-5-i\sqrt{35}}{2} }

Nenhuma das soluções é −3-3, portanto todas satisfazem a restrição do problema.


Insight​

O ponto central da questão é perceber que o termo 6z6z não aparece por acaso.

Ao completar o primeiro quadrado,

z2+6z+9=(z+3)2,z^2+6z+9=(z+3)^2,

surge o termo 6z6z.

Por outro lado,

6z=2(z+3)(3zz+3).6z = 2(z+3)\left(\frac{3z}{z+3}\right).

Isso permite reconhecer:

a2+b2−2ab=(a−b)2.a^2+b^2-2ab=(a-b)^2.

Assim, a expressão complicada se transforma em:

(z+3−3zz+3)2=4.\left( z+3-\frac{3z}{z+3} \right)^2=4.

Sacada: quando uma questão pede para resolver uma equação racional e aparecem expressões como (z+3)2(z+3)^2 e 9z2(z+3)2\frac{9z^2}{(z+3)^2}, procure uma maneira de fazer essas duas expressões funcionarem como os termos a2a^2 e b2b^2 de um quadrado perfeito.

🧩 Exercício 8 (IME)Difícil

Seja zz um número complexo de módulo unitário que satisfaz a condição

z2n≠−1,z^{2n}\neq -1,

onde nn é um número inteiro positivo.

Demonstre que

zn1+z2n\frac{z^n}{1+z^{2n}}

é um número real.

💡 Dica — clique para visualizar

Como zz possui módulo unitário, podemos escrevê-lo na forma

z=cos⁡θ+isin⁡θ.z=\cos\theta+i\sin\theta.

Use a relação de Euler:

eiθ=cos⁡θ+isin⁡θ.e^{i\theta}=\cos\theta+i\sin\theta.

Tente escrever toda a expressão utilizando exponenciais complexas.

Ideia principal​

O fato de zz ter módulo unitário permite representá-lo na forma

z=cos⁡θ+isin⁡θ.z=\cos\theta+i\sin\theta.

Pela relação de Euler,

z=eiθ.\boxed{z=e^{i\theta}}.

A partir daí, podemos transformar a expressão em uma forma que será claramente real.


Passo 1 — Escrevendo zz na forma exponencial​

Como ∣z∣=1|z|=1, existe θ∈R\theta\in\mathbb{R} tal que

z=cos⁡θ+isin⁡θ.z=\cos\theta+i\sin\theta.

Pela relação de Euler,

eiθ=cos⁡θ+isin⁡θ.e^{i\theta}=\cos\theta+i\sin\theta.

Portanto:

z=eiθ.\boxed{z=e^{i\theta}}.

Elevando ambos os lados à potência nn:

zn=einθ.z^n=e^{in\theta}.

Da mesma forma:

z2n=ei2nθ.z^{2n}=e^{i2n\theta}.

Assim, a expressão que queremos analisar é

zn1+z2n=einθ1+ei2nθ.\frac{z^n}{1+z^{2n}} = \frac{e^{in\theta}} {1+e^{i2n\theta}}.

Passo 2 — Simplificando a fração​

Agora vem a ideia principal.

Vamos dividir o numerador e o denominador por einθe^{in\theta}:

einθ1+ei2nθ=1e−inθ+einθ.\frac{e^{in\theta}} {1+e^{i2n\theta}} = \frac{1} {e^{-in\theta}+e^{in\theta}}.

De fato, no denominador:

1einθ+ei2nθeinθ=e−inθ+einθ.\frac{1}{e^{in\theta}} + \frac{e^{i2n\theta}}{e^{in\theta}} = e^{-in\theta}+e^{in\theta}.

Portanto:

zn1+z2n=1e−inθ+einθ.\boxed{ \frac{z^n}{1+z^{2n}} = \frac{1} {e^{-in\theta}+e^{in\theta}} }.

Agora precisamos mostrar que o denominador é real.


Passo 3 — Mostrando que einθ+e−inθe^{in\theta}+e^{-in\theta} é real​

Pela relação de Euler:

einθ=cos⁡(nθ)+isin⁡(nθ).e^{in\theta} = \cos(n\theta)+i\sin(n\theta).

Para o expoente negativo:

e−inθ=cos⁡(−nθ)+isin⁡(−nθ).e^{-in\theta} = \cos(-n\theta)+i\sin(-n\theta).

Sabemos que o cosseno é uma função par:

cos⁡(−nθ)=cos⁡(nθ),\cos(-n\theta)=\cos(n\theta),

e o seno é uma função ímpar:

sin⁡(−nθ)=−sin⁡(nθ).\sin(-n\theta)=-\sin(n\theta).

Logo:

e−inθ=cos⁡(nθ)−isin⁡(nθ).e^{-in\theta} = \cos(n\theta)-i\sin(n\theta).

Agora somamos:

einθ+e−inθ=[cos⁡(nθ)+isin⁡(nθ)]+[cos⁡(nθ)−isin⁡(nθ)].\begin{aligned} e^{in\theta}+e^{-in\theta} &= [\cos(n\theta)+i\sin(n\theta)]\\ &\quad+ [\cos(n\theta)-i\sin(n\theta)]. \end{aligned}

Os termos imaginários se cancelam:

einθ+e−inθ=2cos⁡(nθ).e^{in\theta}+e^{-in\theta} = 2\cos(n\theta).

Portanto:

einθ+e−inθ=2cos⁡(nθ).\boxed{ e^{in\theta}+e^{-in\theta}=2\cos(n\theta) }.

Passo 4 — Voltando para a expressão original​

Já havíamos obtido:

zn1+z2n=1e−inθ+einθ.\frac{z^n}{1+z^{2n}} = \frac{1} {e^{-in\theta}+e^{in\theta}}.

Como:

e−inθ+einθ=2cos⁡(nθ),e^{-in\theta}+e^{in\theta} = 2\cos(n\theta),

temos:

zn1+z2n=12cos⁡(nθ).\frac{z^n}{1+z^{2n}} = \frac{1}{2\cos(n\theta)}.

Ou seja:

zn1+z2n=12cos⁡(nθ).\boxed{ \frac{z^n}{1+z^{2n}} = \frac{1}{2\cos(n\theta)} }.

Como cos⁡(nθ)\cos(n\theta) é um número real, concluímos que a expressão é real.

Portanto:

zn1+z2n∈R.\boxed{ \frac{z^n}{1+z^{2n}}\in\mathbb{R} }.

Por que a condição z2n≠−1z^{2n}\neq-1?​

A condição dada no problema é

z2n≠−1.z^{2n}\neq-1.

Ela garante que o denominador da expressão original não seja zero:

1+z2n≠0.1+z^{2n}\neq0.

Na nossa forma simplificada, isso corresponde a:

2cos⁡(nθ)≠0.2\cos(n\theta)\neq0.

Assim, a divisão por 2cos⁡(nθ)2\cos(n\theta) é válida.


Conclusão​

Partindo de

z=eiθ,z=e^{i\theta},

transformamos a expressão:

zn1+z2n=einθ1+ei2nθ=1e−inθ+einθ=12cos⁡(nθ).\frac{z^n}{1+z^{2n}} = \frac{e^{in\theta}} {1+e^{i2n\theta}} = \frac{1} {e^{-in\theta}+e^{in\theta}} = \frac{1}{2\cos(n\theta)}.

Como o resultado final é um número real:

zn1+z2n eˊ real.\boxed{ \frac{z^n}{1+z^{2n}}\text{ é real.} }
🧩 Exercício 9 (KVANT)Difícil

Resolva o sistema de equações:

{x+(3x−yx2+y2)=3y−(x+3yx2+y2)=0\begin{cases} x+\left(\dfrac{3x-y}{x^2+y^2}\right)=3\\[8pt] y-\left(\dfrac{x+3y}{x^2+y^2}\right)=0 \end{cases}
💡 Dica — clique para visualizar

Considere

z=x+iy.z=x+iy.

Multiplique a segunda equação por ii e some-a à primeira.

Tente escrever toda a expressão em função de zz, z‾\overline z e ∣z∣2|z|^2.

Lembre-se de que:

∣z∣2=zz‾.|z|^2=z\overline z.

Ideia principal​

O sistema possui expressões com x2+y2x^2+y^2 no denominador. Isso sugere utilizar o número complexo

z=x+iy.\boxed{z=x+iy}.

Nesse caso:

∣z∣2=x2+y2.\boxed{|z|^2=x^2+y^2}.

A estratégia será transformar as duas equações em uma única equação envolvendo zz e, depois, obter uma equação do segundo grau em zz.


Passo 1 — Multiplicando a segunda equação por ii​

O sistema é:

{x+3x−yx2+y2=3y−x+3yx2+y2=0.\begin{cases} x+\dfrac{3x-y}{x^2+y^2}=3\\[8pt] y-\dfrac{x+3y}{x^2+y^2}=0. \end{cases}

Multiplicamos a segunda equação por ii:

iy−i(x+3y)x2+y2=0.iy-\frac{i(x+3y)}{x^2+y^2}=0.

Agora somamos essa equação à primeira:

x+iy+(3x−y)−i(x+3y)x2+y2=3.x+iy+ \frac{(3x-y)-i(x+3y)} {x^2+y^2} =3.

Como

x+iy=zx+iy=z

e

x2+y2=∣z∣2,x^2+y^2=|z|^2,

temos:

z+(3x−y)−i(x+3y)∣z∣2=3.z+ \frac{(3x-y)-i(x+3y)} {|z|^2} =3.

Passo 2 — Reescrevendo o numerador com números complexos​

Queremos reconhecer:

(3x−y)−i(x+3y).(3x-y)-i(x+3y).

Como

z‾=x−iy,\overline z=x-iy,

considere:

(3−i)z‾.(3-i)\overline z.

Desenvolvendo:

(3−i)(x−iy).(3-i)(x-iy).

Aplicando a distributiva:

=3x−3iy−ix+i2y.=3x-3iy-ix+i^2y.

Como

i2=−1,i^2=-1,

obtemos:

=3x−y−i(x+3y).=3x-y-i(x+3y).

Portanto:

(3x−y)−i(x+3y)=(3−i)z‾.\boxed{ (3x-y)-i(x+3y)=(3-i)\overline z }.

Assim, a equação anterior se transforma em:

z+(3−i)z‾∣z∣2=3.z+\frac{(3-i)\overline z}{|z|^2}=3.

Passo 3 — Eliminando o conjugado​

Sabemos que:

∣z∣2=zz‾.\boxed{|z|^2=z\overline z}.

Como o enunciado considera zz não nulo, podemos escrever:

z‾∣z∣2=z‾zz‾.\frac{\overline z}{|z|^2} = \frac{\overline z}{z\overline z}.

Cancelando z‾\overline z:

z‾∣z∣2=1z.\frac{\overline z}{|z|^2} = \frac1z.

Portanto:

z+3−iz=3.z+\frac{3-i}{z}=3.

Multiplicando toda a equação por zz:

z2+3−i=3z.z^2+3-i=3z.

Reorganizando:

z2−3z+3−i=0.\boxed{z^2-3z+3-i=0}.

Chegamos a uma equação do segundo grau em zz.


Passo 4 — Aplicando a fórmula de Bhaskara​

Para:

z2−3z+3−i=0,z^2-3z+3-i=0,

temos:

a=1,b=−3,c=3−i.a=1,\qquad b=-3,\qquad c=3-i.

O discriminante é:

Δ=b2−4ac.\Delta=b^2-4ac.

Logo:

Δ=(−3)2−4(1)(3−i).\Delta=(-3)^2-4(1)(3-i).

Então:

Δ=9−12+4i,\Delta=9-12+4i,

isto é:

Δ=−3+4i.\boxed{\Delta=-3+4i}.

Passo 5 — Encontrando a raiz do discriminante​

Precisamos calcular:

−3+4i.\sqrt{-3+4i}.

Observe que:

(1+2i)2=1+4i+4i2.(1+2i)^2 = 1+4i+4i^2.

Como

i2=−1,i^2=-1,

temos:

(1+2i)2=1+4i−4=−3+4i.(1+2i)^2 = 1+4i-4 = -3+4i.

Portanto:

−3+4i=1+2i.\boxed{\sqrt{-3+4i}=1+2i}.

Assim, pela fórmula de Bhaskara:

z=3±(1+2i)2.z= \frac{3\pm(1+2i)}2.

Passo 6 — Encontrando as soluções​

Para o sinal positivo:

z1=3+1+2i2.z_1= \frac{3+1+2i}{2}.

Logo:

z1=2+i.\boxed{z_1=2+i}.

Para o sinal negativo:

z2=3−1−2i2.z_2= \frac{3-1-2i}{2}.

Portanto:

z2=1−i.\boxed{z_2=1-i}.

Resultado​

As soluções do sistema são:

z=2+i\boxed{z=2+i}

ou

z=1−i.\boxed{z=1-i}.

Portanto, em termos de (x,y)(x,y):

(x,y)=(2,1)\boxed{(x,y)=(2,1)}

ou

(x,y)=(1,−1).\boxed{(x,y)=(1,-1)}.
🧩 Exercício 10 (EUA)Difícil

Ache todos os números complexos zz tais que

(3z+1)(4z+1)(6z+1)(12z+1)=2.(3z+1)(4z+1)(6z+1)(12z+1)=2.
💡 Dica — clique para visualizar

Evite expandir diretamente o produto dos quatro fatores.

Agrupe os fatores convenientemente e utilize a identidade:

AB=(A+B)2−(A−B)24.\boxed{ AB=\frac{(A+B)^2-(A-B)^2}{4} }.

Uma boa escolha é definir:

A=(3z+1)(12z+1)A=(3z+1)(12z+1)

e

B=(4z+1)(6z+1).B=(4z+1)(6z+1).

Depois, observe que A−BA-B e A+BA+B podem ser escritos em função de uma mesma expressão.

Ideia principal​

A expansão direta dos quatro fatores produziria uma equação de quarto grau.

Podemos evitar isso agrupando os fatores de maneira estratégica:

A=(3z+1)(12z+1)A=(3z+1)(12z+1)

e

B=(4z+1)(6z+1).B=(4z+1)(6z+1).

A equação original passa a ser simplesmente:

AB=2.AB=2.

A partir daí, vamos trabalhar com A+BA+B e A−BA-B.


Passo 1 — Calculando AA e BB​

Temos:

A=(3z+1)(12z+1).A=(3z+1)(12z+1).

Desenvolvendo:

A=36z2+15z+1.A=36z^2+15z+1.

Da mesma forma:

B=(4z+1)(6z+1),B=(4z+1)(6z+1),

portanto:

B=24z2+10z+1.B=24z^2+10z+1.

Passo 2 — Calculando A−BA-B​

Subtraindo:

A−B=(36z2+15z+1)−(24z2+10z+1).A-B = (36z^2+15z+1)-(24z^2+10z+1).

Logo:

A−B=12z2+5z.A-B=12z^2+5z.

Vamos definir:

t=12z2+5z.\boxed{t=12z^2+5z}.

Assim:

A−B=t.\boxed{A-B=t}.

Passo 3 — Calculando A+BA+B​

Agora somamos:

A+B=36z2+15z+1+24z2+10z+1.A+B = 36z^2+15z+1+24z^2+10z+1.

Então:

A+B=60z2+25z+2.A+B=60z^2+25z+2.

Como

t=12z2+5z,t=12z^2+5z,

multiplicando essa expressão por 55:

5t=60z2+25z.5t=60z^2+25z.

Portanto:

A+B=5t+2.\boxed{A+B=5t+2}.

Passo 4 — Usando uma identidade algébrica​

Sabemos que:

(A+B)2−(A−B)2=4AB.(A+B)^2-(A-B)^2=4AB.

Portanto:

AB=(A+B)2−(A−B)24.\boxed{ AB=\frac{(A+B)^2-(A-B)^2}{4} }.

Como a equação original fornece:

AB=2,AB=2,

temos:

2=(A+B)2−(A−B)24.2= \frac{(A+B)^2-(A-B)^2}{4}.

Substituindo:

A+B=5t+2A+B=5t+2

e

A−B=t,A-B=t,

obtemos:

2=(5t+2)2−t24.2= \frac{(5t+2)^2-t^2}{4}.

Multiplicando por 44:

8=(5t+2)2−t2.8=(5t+2)^2-t^2.

Passo 5 — Encontrando tt​

Desenvolvendo:

8=25t2+20t+4−t2.8=25t^2+20t+4-t^2.

Logo:

8=24t2+20t+4.8=24t^2+20t+4.

Dividindo tudo por 44:

2=6t2+5t+1.2=6t^2+5t+1.

Reorganizando:

6t2+5t−1=0.6t^2+5t-1=0.

Fatorando:

(6t−1)(t+1)=0.(6t-1)(t+1)=0.

Assim:

t=16\boxed{t=\frac16}

ou

t=−1.\boxed{t=-1}.

Passo 6 — Voltando para zz​

Lembramos que:

t=12z2+5z.t=12z^2+5z.

Caso 1: t=16t=\frac16​

Temos:

12z2+5z=16.12z^2+5z=\frac16.

Multiplicando por 66:

72z2+30z=1.72z^2+30z=1.

Logo:

72z2+30z−1=0.72z^2+30z-1=0.

Aplicando Bhaskara:

z=−30±302−4(72)(−1)144.z= \frac{-30\pm\sqrt{30^2-4(72)(-1)}}{144}.

Então:

z=−30±1188144.z= \frac{-30\pm\sqrt{1188}}{144}.

Como:

1188=36⋅33,1188=36\cdot33,

temos:

1188=633.\sqrt{1188}=6\sqrt{33}.

Portanto:

z=−5±3324.\boxed{ z=\frac{-5\pm\sqrt{33}}{24} }.

Caso 2: t=−1t=-1​

Temos:

12z2+5z=−1.12z^2+5z=-1.

Logo:

12z2+5z+1=0.12z^2+5z+1=0.

Aplicando Bhaskara:

z=−5±25−4824.z= \frac{-5\pm\sqrt{25-48}}{24}.

Assim:

z=−5±−2324.z= \frac{-5\pm\sqrt{-23}}{24}.

Como:

−23=i23,\sqrt{-23}=i\sqrt{23},

obtemos:

z=−5±i2324.\boxed{ z=\frac{-5\pm i\sqrt{23}}{24} }.

Resultado​

Portanto, todos os números complexos que satisfazem a equação são:

z=−5+3324,z=−5−3324,z=−5+i2324,z=−5−i2324.\boxed{ z=\frac{-5+\sqrt{33}}{24}, \quad z=\frac{-5-\sqrt{33}}{24}, \quad z=\frac{-5+i\sqrt{23}}{24}, \quad z=\frac{-5-i\sqrt{23}}{24} }.